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Resignificando_Matematica_Ciencias_e_CIA

Page history last edited by PBworks 1 yr ago

 Foi a partir da releitura de atividades propostas por estas duas interdisciplinas e da conclusão de que alguma coisa diferente poderia e deveria ser proposta por alguém, que tive a idéia de buscar outras alternativas.

Ao criar a página VIDE BULA fiz referência a uma das modalidades de atendimento, em minha escola, chamada PPI. Relembrei um momento da PPI, com um aluno, através da escuta de gravação feita durante uma parte do atendimento.

Minha proposta é, através da análise da conversa, verificar que conceitos estavam sendo trabalhados, que outros poderiam ser abordados, que outras perguntas poderiam ser feitas.

Em um segundo momento a proposta se diversifica interdisciplinarmente: através do resgate de passagens do Livrão da Turma do Fantasminha, procurarei mostrar como, em uma turma de Jardim B, trabalhei diferentes áreas, de forma entrelaçada.

Saliento a importância de buscar evidências do trabalho realizado, através de fotos do Livrão e de áudio, com um aluno. Creio, que desta forma, estarei contribuindo para que muitas pessoas visualizem de melhor forma e tenham maior compreensão. Apresento, portanto, algumas passagens de duas grandes paixões: Educação Especial e Educação Infantil.

 

Na Educação Especial: um aluno que se vai...

 

 

 

 Conforme já relatado em outra página do wiki, o aluno estava em seu último ano, na escola. Trazia questões emergenciais, em sala de aula, relacionadas à Sexualidade. No vigor de seus 21 anos, observava o namoro de seu pai com uma nova companheira e manifestava desejo de, também relacionar-se fisicamente com uma namorada. Arrancava páginas de revistas contendo modelos em poses sensuais e escondia em sua carteira. Em sala de aula, se recusava a falar sobre o assunto namorada, desejos...Mas na PPI encontrou um espaço mais adequado para conversar, trazer dúvidas e contar algumas de suas vivências. Ele necessitava falar e, através desta escuta, foi possível esclarecer algumas dúvidas que habitavam em seu imaginário:

Se beijar, no baile, a menina... caso com ela? Tenho que casar?

A da revista (modelo) é pra dormir agarrado?

Há uma nítida diferenciação entre a "menina do baile" e a "da revista". Em suas perguntas o aluno trazia idéias pré-concebidas e difundidas no âmbito familiar. Descobrir essas diferenças, saber o que ele entendia por casar, por "dormir agarrado", foram metas trabalhadas. Também foi necessário enfocar o fato da revista trazer imagens, histórias e o objetivo (aparente) das modelos ali estarem vendendo um produto(a roupa, os acessórios, a maquiagem). O aluno enxergava a outra mensagem relacionada ao corpo, sensualidade e sexualidade. Então, acreditava que poderia escolher a modelo que mais o interessasse.

 

Neste momento considerarei o áudio disponibilizado:

 

 

Através da conversa podemos perceber quantas idéias foram sendo apresentadas. O tema de nossas PPIs, embora sempre "embalados" por alguma música era, na realidade, o "ser diferente", ser oposto...

A primeira idéia esta relacionada ao masculino e feminino: existem objetos que são usados por mulheres e outros por homens. O sapato que a profe usava era feminino, o dele, não. Somos diferentes. Mas em outras coisas, também:

comparação entre os pés (qual é o maior?)

comparação entre o armário e a professora, entre o armário e o aluno (altura)

Maior, menor, grande, pequeno, alto, baixo... estes atributos estavam presentes em nossa conversa inicial mas é importante salientar, que não havia a intencionalidade anterior de trabalhá-los. Surgiram,  na conversa. Saliento que para muitos alunos é necessário retomar conceitos, realizar experimentos, mesmo que, aparentemente, saibam empregá-los em seu dia-a-dia. Podem utilizá-los corretamente, em um dia e , em outro, nem lembrar do que se trata.

Mas aqui retomo algumas questões trazidas por nossas professoras do Seminário Integrador. Ao analisar o áudio percebi como poderia, caso houvesse a intencionalidade, realizar mais perguntas (do que o proprio aluno) possibilitando que ele mesmo desse as respostas. O que eu poderia ter feito? Vejamos outras possibilidades de questionamentos:

 

É uma bota? Posso usar uma igual a tua? Por quê?

Depois da comparação entre os pés:

Mas, por que o meu pé é menor que o teu? Tu poderias ter um pé como o meu, do mesmo tamanho?

É bom crescer?  Por quê?

Por que será que eu cresci menos e tu mais?

Lá em cima do armário...quem de nós enxerga mais fácil o que tem lá? Me mostra...

Tu consegues tocar violão sem mão? E quem não tem mão e quer tocar, como é que faz?

Sabe me dizer umas coisas que a gente faz sem as mãos?

 

Ao contrário do que poderia fazer em uma turma regular, é importante não trazer muitas questões, ao mesmo tempo para o aluno. Enfocar poucas questões, inicialmente, para que não se desorganize .

 

Relembro que em todos os momentos de PPI, com este aluno, uma conversa inicial sobre algo que ele trazia antecedia a qualquer tipo de idéia que eu apresentasse. Havia entre nós uma espécie de acordo nunca falado mas, selado. Ele brincava com objetos que estavam sobre a mesa, procurava pegar as chaves da porta e tentar me trancar, mostrava-me a língua, dava risadas. Conversávamos sobre suas roupas (adorava mostrá-las), os acessórios (cinto, carteira, lenço) que trazia consigo, alguma foto ou desenho que trouxera escondido, no bolso. Só depois de cumprido este ritual, aceitava minhas propostas . (geralmente, vindas a partir de uma música...)

 

Antes de iniciar a audição da música Emanuel, com o aluno, registrei mentalmente a necessidade de retomar duas questões:

 O movimento CLJ (buscar informações prévias com suas professoras, devido a uma questão relacionada a sua família)

Coral (em outras PPIs ouvimos música de canto coral e assistimos a uma apresentação de corais pelo Youtube.)

 

Mesmo sem a intencionalidade, vários conceitos e atributos matemáticos estavam presentes em poucos minutos de conversa. Entretanto, reafirmo que muito mais que conceitos matemáticos, o emocional do aluno, suas relações e inserção em diferentes grupos sociais, necessitava de maior atenção.

 

 

Na Educação Infantil: Livrão da Turma do Fantasminha, relatos e visitas

 

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Comentei em outra página o quão fácil é relembrar muitas atividades matemáticas realizadas com algumas de minhas turmas de Educação Infantil. Na década de 90, influenciada pelos registros de Freinet iniciei  meu primeiro Livrão. Através do registro de atividades e relatos realizados pelas crianças a memória se fortalece, as evidências se apresentam.

A Turma do Fantasminha escreveu sua história em 1994. No slide podemos verificar o relatório de um jogo matemático: o jogo da árvore. Após terem usados palitos, folhas de árvores e maçãs de papel cartaz em um jogo com dado, cada grupo, montou a sua árvore, com as peças. Enquanto alguns alunos faziam seu relatório simplesmente desenhando o que mais chamara a atenção, para outros eu lançara o desafio do registro através das perguntas, nas folhas. Aqui, é importante ressaltar que, com o conhecimento dos alunos que tinha e do que conseguiam e até onde poderiam ser desafiados, eu propus relatórios diferentes. Na folha de Amanda, ainda acrescentei outro desafio: tudo junto: (pensar)

Amanda estava em outra fase, em relação as suas colegas: já era capaz de agrupar todos os elementos buscando saber quantos tinha.

 

Em outra passagem do livro, há a visita feita ao Museu da Varig , relato das informações obtidas e o que chamou mais a atenção. A partir da visita uma nova proposta foi colocada na hora da roda: brincar com os diferentes aviões ofertados e descobrir todos os segredos possíveis. Novamente, nos relatórios, podemos observar que enquanto alguns alunos desenham o critério de sua classificação, outros apenas desenham os aviões, de forma aleatória.

 

Visitas das mães, livro sobre insetos, aranhas, votação, bilhetes, dicionário da turma

  A partir de um cronograma afixado na porta da sala de aula, as mães começavam a visitar nossa turma. Cada visita era responsável por alguma coisa: cantar uma música, participar da roda, contar uma história. Algumas mães não podiam vir mas combinavam de mandar um bilhete e desenho para o grupo. Desta forma, estariam participando "de um jeito diferente". Era isso que eu combinara com as crianças: "algumas mães vão vir aqui, outras vão mandar desenhos pra enfeitar nosso mural...e outras, até podem mandar alguma pessoa da família em nome delas..."

Foi assim que tivemos uma mãe que veio ensinar a fazer uma dobradura, outra que trouxe uma torta de chocolate para a merenda, uma, que trouxe insetos para serem olhados através de seu microscópio, duas mães que conseguiram uma visita ao aeroporto e Museu da Varig e nos acompanharam, um pai que veio tocar violino e muito mais.

Em um calendário na sala, junto com as crianças, marcava o dia de cada visita erealizava as combinações básicas: como vamos receber a mãe do fulaninho? As sugestões eram diversas : vamos fazer a brincadeira da Mamãe Galinha, com ela, bater palmas quando ela chegar,  nos esconder embaixo da mesa pra ela nos encontrar, dar beijos, cantar a música da Fera Ferida (uma das prediletas do grupo)

Em muitos momentos eu introduzia a votação. Quem quer isso, levanta o dedo, quem não quer deixa os dedos descansando, no colo. Mas, por um tempo, foi preciso fazer a votação utilizando objetos que cada um ia colocando no centro da roda, perto de sua escolha (representada por um desenho). Alguns alunos votavam mais de uma vez.

O "combinado geral" era que sempre escreveríamos um bilhete de agradecimento para a visita. Quem entregaria, em casa, era o(a) filho(a). No bilhete, os desenhos eram das crianças que se ofereciam para fazê-los, eu escrevia o que o grupo ditava.

                                                 Pausa para a aranha Inki, votação, bilhete

 

Quando uma aluna trouxe, em um vidro, uma aranha caranguejeira (viva) ,capturada por sua dinda, minha primeira preocupação fora conter a euforia de uns e amenizar o receio de outros. Como estávamos dentro de uma cidade universitária, conseguir que, no outro dia um professor de Biologia viesse visitar o grupo e nos assessorar nos cuidados com o animal, foi fácil.

Listamos coisas que queríamos saber:  A aranha toma água?

Como ela vai comer aqui dentro?

Ela é perigosa? Ela é macho ou fêmea?

Ela pula e não se quebra toda? Por quê?

Ela tem família?

Como é que ela fica pendurada na teia?

Ela que faz a teia? Como?

Por que ela deixa a pele da gente coçando?

A gente não tinha que matar todas as aranhas?

 

          

Agora, vamos falar um pouco sobre Intencionalidade. Em relação à aranha trazida, acreditei estar aí, uma possibilidade de pesquisarmos mais sobre esta espécie. Eu queria aprofundar. Portanto, viabilizei formas de acontecer. Eu poderia fazer, rapidamente, a escolha de um nome para a aranha: pedir sugestões e escolher uma delas. Poderia... Mas, além de não ser um completo exercício de democracia (votação), estaria impossibilitando a chance de trabalhar com outras questões, na votação.

Pensar como iríamos marcar cada nome escolhido, como descobrir quem teve mais votos e quem teve menos, envolveu muito mais tempo, persistência e paciência. Mas foi mais gratificante. Então, estávamos planejando em Ciências, utilizando Matemátca, Português, ...

Eu tinha a intenção de, mais uma vez, fazê-los observar que o que falávamos poderia ficar "gravado" no papel. E que, no momento, eu tinha o acesso aos códigos de leitura... tinha aprendido... Quando eu, na roda, relia o que escrevera, apontando o dedo para cada palavra, eu tinha a intenção de enfatizar este fato.

Quando contava apontando os palitos que representavam os votos  e questionando, eu tinha a intenção de fazê-los refletir matematicamente. A intencionalidade é o que faz a diferença na Educação.

 

As descobertas vindas a partir da visita do Professor Arno, foram muitas. Entretanto, ainda hoje, passada mais de uma década relembro, sensibilizada, a  discussão ocasionada no grupo sobre a mascote Inki. Após as descobertas e escolha do nome da aranha o vínculo das crianças para com a mascote foi-se fortalecendo. Na semana que permaneceu conosco , seu vivário era levado para cada mesa, durante a merenda: isso mesmo, as crianças lanchavam próximo a Inki. E em suas conversas a discussão sobre feio e bonito surgiu:

A Inki é muito feia!

Não é, não! Ela é bonita!!!

Mas todas as pessoas e animais precisam ser do mesmo jeito? E se todo mundo fosse bonito? Ou magro? Ou alto?

A gente vai deixar de gostar da Inki, mesmo ela sendo feia?

Ou bonita?

A gente gosta e pronto, Bia!

Pois é...

Passada uma semana eu tinha a certeza de que seria preciso libertar a Inki. Permitir que fosse devolvida ao seu habitat. E sabia que deveria conversar muito com as crianças. Acreditava que não seria tão fácil convencê-las a se despedirem. Mas me surpreendi.

Como se tratava de uma vida (da aranha) não estava em discussão se decidiríamos por votação a sua permanência. Ela deveria ser liberta porque fôra capturada. O modo como seria, isso sim...pedi idéias. Mas antes perguntei, como quem não queria nada, se o grupo achava que a Inki sentia falta de sua casa.

Mas a casa dela é aqui!!!

Não, ela está aqui, conosco... Mas de onde ela veio?

A conversa seguiu até o momento em que uma das meninas disse acreditar que a Inki tinha uma família esperando por ela. Outra criança retrucou concordando. Encerrei aquele momento dizendo que achava que teríamos que pensar a respeito. Nós estávamos felizes com a Inki mas, será que ela estava feliz sem poder viver onde vivia? Subir nas arvores, fazer suas teias? Observando a merenda mais silenciosa do que o normal decidi estabelecer um prazo para que Inki fosse entregue ao seu ambiente.

No outro dia, novamente, conversamos e surpreendi-me ao observar que a maioria concordava em soltar Inki. Expliquei, mais uma vez, que não faríamos votação pois se tratava de um "direito da aranha": ir e vir em liberdade.

Combinamos como soltá-la. Tinha que ser no mesmo lugar para que fique bem feliz, disse um dos alunos. E assim, foi. Fizemos uma festa de despedida , na hora da merenda e, no final da tarde, a nosso convite, a Dinda Iara, responsável pela captura da aranha, chegou. Após conversa com a turma, levou o vivário com a promessa de que soltaria Inki bem no lugar onde estava, anteriormente. Foi feito. Minha aluna, afilhada de Iara, participou do momento e relatou na hora da rodinha, no outro dia.

Relembro, ainda de alguns choros , de estar com um dos meninos no colo, afagando sua cabeça e de duas ou três crianças que permaneceram, por um tempo, mais chateadas por não concordarem com a despedida.

Entretanto, a aprendizagem se faz , principalmente, em momentos de discórdia e perda. Perdemos a presença de Inki mas, ganhamos a certeza de proporcionar-lhe a vida que tinha antes. Aquelas crianças começavam a aprender que "nem tudo, que queremos, conseguimos..."

Interessante é que já naquela época , em uma turma de crianças de JB, estava conversando sobre o que é ou não, belo, feio,  que importância isso tem, conceitos de liberdade, aprisionamento, sobre diferenças... 

 

 

                                                 

 

                                 Organizando o Livro dos Insetos

 

Depois de Inki, da visita de uma das mães trazendo insetos para olharmos no microscópio, de termos visto, no aparelho, um piolho, de pesquisarmos algumas coisas em livros e de chamarmos o Professor Frozi, de Biologia, para conversar conosco, propus: Que tal a gente fazer um livro só sobre o que descobrimos?

O livro foi confeccionado aos poucos, respeitando as diversas etapas necessárias. Eu tinha a intenção de trabalhar noção de índice e numeração de páginas. Para isso, observamos diversos livros,fomos até a Biblioteca da escola, falamos com a bibliotecária. A cada dia , na roda, as crianças relembravam o que haviam descoberto. Eu escrevia em folhas grandes e perguntava quem iria ilustrar. As crianças escolhiam a folha e desenhavam próximo a ela, em outra folha pequena a ser colada. No final da tarde, expunhamos cada página na porta da sala, para que as famílias acompanhassem o processo. Em dois meses nosso livro estava pronto.

 

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Antes do Dicionário, Certidões e escolha do nome da Turma

 

Após o período de adaptação, era o momento de construirmos a identidade de nossa turma. Escolher um nome para o grupo que ocupava aquela sala, naquela escola. Mas, antes disso, era necessário trabalhar com nossas próprias identidades.

Através do saco da surpresa, mostrei na roda, fotos de uma criança em várias fases de sua vida. Pouco tempo depois sua identidade era descoberta:era a professora, no caso, eu.

 

 

Combinamos que as crianças trariam suas fotos de quando bebê. Quem pudesse traria alguma roupinha que ainda tivesse. (realizaríamos comparações com as roupas atuais)

Dias depois foi lançado o primeiro tema de casa da turma: pedir aos pais que contassem e, se possível, escrevessem como haviam escolhodo o nome de seu(sua) filho(a):

Uma das mães visitou a turma e contou porque escolhera o nome de Renata para sua filha. Além da certidão de nascimento, levou uma manta e meias que guardava como recordação. Nos dias seguintes, outras certidões foram trazidas, um mural de fotos e cantinho de objetos foram organizados. No mural, colocávamos as fotos da mãe, do pai e dos filhos . Com as fotos enviadas por uma avó, também colocamos, acima, as suas contribuições. Brincando começávamos a esboçar algumas árvores genealógicas.

Muitas semanas depois a proposta inicial era retomada:

"Será que existem outras turmas de JB, aqui no colégio? E outras turmas em outros lugares? Como a gente pode mostrar que é a nossa turma, quando alguém perguntar pelos JBs aqui da escola? Todos são JB...."

Ao chegar na sugestão "vamos  escolher um nome" realizava algumas combinações e estabelecia critérios:

após uma sugestão... "mas essa turma é MESMO da Xuxa? Por que não inventamos um nome diferente? Já imaginaram quantas Turmas da Xuxa têm por aí?"

Em 1994, uma das meninas contara um sonho que tivera, envolvendo um fantasminha legal. Após várias sugestões e votação o nome foi escolhido: Turma do Fantasminha.

Comments (6)

Anonymous said

at 2:20 pm on May 20, 2008

Oi Bia querida, que relatos interessantes!! Para mim , o mundo da educação especial sempre foi um mundo muito pouco conhecido. Por isso, leio o que escreves com muita atenção, me dando conta de que as diferenças desse teu alunado não significam, de maneira nenhuma, não poder fazer coisas e sim poder fazer coisas de outra maneira.É a voz de uma diferença que precisa ser respeitada e estudada, pois ela abre uma janela nova, para um cenário novo. Cabe a nós professores, estarmos abertos para essa janela, olhando o cenário e os atores com olhar crítico, percebendo e destacando quais elementos podem nos ajudar a fazer as intervenções necessárias para que haja crescimento.Na verdade, eu considero que eles têm uma linguagem original de compreensão do mundo e qto mais nos a entendermos mais chance teremos de interferência produtiva, no sentido de encaminhá-lo para uma vertente em que eles se sintam seguros e contentes com seu próprio desempenho.Afinal, como a Matemática , a Ciências e os Estudos Sociais aparecem na tua sala? Não há como não aparecerem, pois a vida engloba esse campos de conhecimento. Só que, certamente, não como pensamos que apareceriam. Acho que em uma turma como a nossa, de futuros pedagogos, tua experiência é de suma importância porque traz para dentro da nossa sala de aula, os diferentes matizes de grupos de trabalho. (continua)

Anonymous said

at 2:20 pm on May 20, 2008

( continuando) Além disso, é um campo de trabalho muito pouco divulgado e muito pouco conhecido, dentro do mundo pedagógico que permeia as escolas e os cursos superiores.Da mesma forma, o compartilhar tuas experiências te dá novas idéias de nover a turma. Fiquei bem contente com a análise da tua conversa com o Felipe, identificando que poderias ter aumentado as chances de crescimento dos conceitos científicos, com o aumento do diálogo na medida em que poderias ter introduzido perguntas mais pertinentes e, talvez, mais diretas.O caso, do sapato feminino é um bom exemplo. Tu é que indicas as diferenças entre o masculino e o feminino. Com certeza, da próxima vez, com outro Felipe, vais fazer diferente e vai tentar o caminho da construção dele.
Um abração e obrigada
Bea

Anonymous said

at 12:43 am on May 21, 2008

Oi, Bea! Oi, Íris!
Pois é... este semestre tem trazido algumas inquietações...Mas também a oportunidade de desacomodar. Realmente, acredito que todos nós, educadores, devemos ter em mente que os alunos não são iguais, que há diferenças... e grandes diferenças. Muitas das atividades propostas não se aplicam, realmente, a uma turma como a minha. Podes pensar " Mas será que não é interessante fazer como se estivesse com outra turma, relembrar do que fez, do que poderá ser feito?" Sim e não! Por que não pensar que esta é uma possibilidade para, como disseste, Bea´, abrir as janelas para um novo cenário? Estou aprendendo muito em Educação Especial com minhas pares, com a equipe de minha escola e com meus alunos. O pouco que sei, posso compartilhar. Mas, com certeza, seria muito legal se pudesse perceber que, cada vez mais, o olhar de nossos mestres se fixa também nas diferenças e pensa como agir, a partir das mesmas.

Anonymous said

at 12:52 am on May 21, 2008

Continuando... Entretanto, o fato de estar "inquieta", em alguns momentos, me faz exercitar a reflexão, avaliar o que fiz, como fiz, o que deixei de fazer e o que poderia ser feito. Este exercício tem feito com que, nos últimos dias, eu sinta muito prazer. O mesmo prazer que sempre senti ao realizar tarefas instigantes e adequadas. Escrevi nesta página di wiki que em momentos de perda e discórdia, também há aprendizagem. É isso aí... que sejam outros momentos, também.

Anonymous said

at 12:49 am on Jun 4, 2008

Bia! Minha vergonha em ter demorado a ler, com atenção e não apenas passar os olhos nas tuas escritas, só não é maior que minha satisfação em aprender contigo! Nossa! Quanta matemática! Quanto trabalho de educador, esse, que vai além de qualquer divisão de área de conhecimento! Aqui, eu encontrei atividades CS, NO e EF! tudo em uma única página e, talvez, sem intencionalidade, como tu dizes algumas vezes no teu texto. Com certeza, conhecer mais a tua turma e o teu trabalho só tem a me acrescentar, pois, como a Bea, eu também não tenho [espero poder dizer 'tinha' em seguida ;o)] familiaridade com a Educação Especial. Parece que nos encontramos! parabéns pelo trabalho e obrigada por dividir ele conosco. [ ] s

Anonymous said

at 10:56 am on Jun 5, 2008

Oi, Daniela. Fico contente por teres conseguido ler estas páginas. Isto indica que o objetivo de partilhar um pouco o trabalho com a Ed. Especial está se configurando, realmente. Embora esteja "indo mais devagar" pretendo colocar nestas páginas do wiki outros relatos.Obrigada pelas palavras carinhosas. Um forte abraço.

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